Scenarium 8 | Coletivo Nas nuvens

Lua Souza

Planeta eu, Lua

Nirlei Maria Oliveira

Nuvens

Rozana Gastaldi Cominal

Corpos tangíveis

Isabel Rupaud

Altitude

Nas nuvens  | Corpos tangíveis

O casal de jovens, antes afoitos, experimentam, agora, inertes, a instabilidade de sensações  e mudanças  que estão por vir. O rapaz quer o chão firme,  enquanto a moça almeja voar por entre as nuvens, vasto mar de espuma  a perder de vista.

— Tá tudo tão anuviado!

— Como assim?

— Parece que vai chover! Tudo cinzento lá em cima.

— Tá nas nuvens isso sim, quando vai ter coragem?

— É sério, vai fechar o tempo.

— Não creio que vai fugir da raia!

—  Vixe, vai desabar o mundo…

— O meu já desabou quando acreditei nas suas promessas…

— Desanuvem, mulher!

— Fogo de palha, nuvem passageira o nosso caso.

— É você quem quer partir.

— Aqui já deu para mim, chega de nuvem de gafanhotos no meu quadrado.

— Não é tão nebuloso assim, dá para controlar os estragos.

— Como se fosse possível o controle das coisas… prefiro caminhar nas nuvens… delas brotam sorrisos, flores, bichos, desafios… ei,  melhor correr, se não quiser se molhar….

Algumas pessoas são nuvens lânguidas que dissipam, enquanto outras são nuvens vorazes que pedem novos ares. A moça vai  no balanço, suspensa no ar, sem temer a imensidão do mar abaixo, enquanto ele prefere atracar no porto seguro e não arriscar. Uns vivem  na bolha insular, na surdina, mantêm o fluxo em terreno palpável.  Já outros, ao ar livre,  afrouxam as amarras  em ressonância carnal e enlevo espiritual. 

Corpos fluidos somos, uns mais, outros menos, vale o pensamento que levita, somos, pois,  nuvens de algodão, de açafrão, de chuva que evapora em prazer ou danação.

Rozana Gastaldi Cominal… Mulher que voa, é feita d-eus múltiplos que sustentam o corpo amoroso, político e periférico. Acredita na força dos coletivos e com eles faz voz. Dos espinhos ao néctar das pétalas aninhadas, nada lhe passa imperceptível. Alada, em voo invisível, colhe palavras e pólen em jardins suspensos de seu quintal ou da Babilônia. Franco-atiradora, arma-se do riso apesar da zanga que espreita.  Também os fins justificam os meios em estado de poesia.

Scenarium 8 | Coletivo Barquinho de papel

Adriana Aneli

Marcha Soldado

Isabel Rupaud

Barquinhos de Papel

Lunna Guedes

Origami

Mariana Gouveia

Barquinhos

Rozana Gastaldi Cominal

Barquinhos de Papel

Suzana Martins

Delírios de Papel

Barquinho de Papel | Barquinho

Quando se é criança,
a mente confabula histórias sem fim por lugares,
brinquedos e seres imaginários.


No faz de conta nada é absurdo.
As velas içadas da memória levam
o barquinho de papel por terras gélidas.


Eu e ele, cientistas em expedição pelo Lago Ness.
De suas profundezas emerge o monstro marinho.
No espelho d’água: carcaças à deriva ou descoberta, enfim, comprovada?

O final trágico ou não é mero detalhe.
Somos unha e carne. Temos rins que enfrentam
perigos titânicos… a vida é frágil.

Quando se é criança,
a invencibilidade toma conta da fantasia.
Viagens fantásticas em barcos de papel na bacia
no quintal enquanto a febre não baixa.

Ele, o pescador que enfrenta tempestade em alto mar.
Eu, a pequena sereia, canto para enfeitiçar. 
Apaixonados, vivemos felizes para sempre.

No cardápio da infância, falar abobrinhas é batata!
Os devaneios nos alimentam.
Somos unha e carne.
Temos um fígado insólito que regenera…
a vida é frágil.

Quando se é criança,
as coisas parecem ter uma dimensão descomunal.
Ele é um verdadeiro camaleão.
Sou um peixinho com vontade de voar.


Pegamos carona no barquinho de papel a deslizar, primeiro, pelas águas sem se enxarcar.
O rio celebra. Depois o barquinho ganha asas, apesar do tempo turbulento.


O céu abrilhanta.
A luz tem cheiro.
Manteiga derretida.
Um dilúvio se anuvia.
Somos unha e carne.
Temos um cérebro ciclópico… a vida é frágil.

Quando se é criança,
a fragilidade da vida é desmedida.
Ninguém se preocupa se o barquinho de papel
foi desfeito em segundos.


A imaginação corre solta ao sabor do vento e da correnteza.
O som tem cor.
Mamão com açúcar.


Nova dobradura é feita, agora com o amuleto da sorte.
Eu sou uma verdadeira marinheira, olhar atento, no barquinho que vai pelo fluxo da água.


Ele é um gigante, à frente,
mesmo cuidando dos obstáculos,
percebe o naufrágio.


Nem assim as lágrimas afogam nossos sonhos.
Somos unha e carne.
Temos um pulmão caleidoscópico… a vida é frágil.


Quando se é criança, a sensibilidade aflora de forma gigantesca.
O barquinho de papel agora é Nautilus,
mergulhamos a vinte mil léguas submarinas.

O sonar sonda os tesouros perdidos.
Ruma aos palácios colossais e jardins suspensos monumentais.
Estamos no fundo do mar.
Somos rei e rainha de Atlântida.
Mau presságio à vista? 
Deuses invejosos nos enterram no escuro abissal.


Somos unha e carne, então cavamos.
Temos um coração atlântico.
Seja ficção ou real, a vida é frágil invenção.

Rozana Gastaldi Cominal… Mulher que voa, é feita d-eus múltiplos que sustentam o corpo amoroso, político e periférico. Acredita na força dos coletivos e com eles faz voz. Dos espinhos ao néctar das pétalas aninhadas, nada lhe passa imperceptível. Alada, em voo invisível, colhe palavras e pólen em jardins suspensos de seu quintal ou da Babilônia. Franco-atiradora, arma-se do riso apesar da zanga que espreita.  Também os fins justificam os meios em estado de poesia.

Três poemas de Rozana Gastaldi Cominal

Olá leitor e leitora,

E hoje quem finaliza a semana poética por aqui… sou eu. Passei as horas da última quinta-feira (ontem) revirando dúzias de páginas dos livros de poesias que publiquei desde 2014. Foi um processo delicioso. Revisitei processos-projetos… senti o corpo ser atingido por alguns abalos sísmicos, como tanto gostos. Ouvi trovões e senti o ressoar do carrilhão da minha infância. Tudo isso serviu para que eu retornasse as páginas do livro que resultou do primeiro desafio de poesias que eu promovi na Scenarium, que é um dos meus Coletivos favoritos: Nascer pela segunda vez…

E a poesia de Rozana Gastaldi Cominal acenou como resposta a todas essas sentimentalidades… coisas que apenas a poesia faz comigo. E creio que nem preciso dizer isso a quem me conhece. Mas como escrever em um blogue, é anunciar-se para uma multidão de ninguéns — amo essa palavra e como ressoa em meu íntimo com uma intensidade tipicamente dickinsoniana.

Boa leitura e até a próxima!

1

Ao nascer
cortam-me o cordão umbilica
Nascente
deságuo no mundo
em busca de amor incondicional

2

Diante das incertezas,
o tempo apenas ri de mim.
Mesmo cativa, condição involuntária
busco minha carta de alforria.

3

Ação imprevista.
Correr os riscos.
O que nos move hoje?
Dividir. Multiplicar.
Somar. Subtrair.
Seja qual for a operação
 — viver é perder!

Três poemas de Obdúlio Nuñes Ortega

Olá leitor e leitora,

E hoje quem desfia suas escolhas por aqui… é a mulher-poeta-prosadora Rozana Gastaldi Cominal — autora do livro Mulheres que voam… com a palavra, a poeta:

Sentada ainda a folhear o livroAndarilha –, assim como o poeta observo ao redor, não há trilha indolor nem mesmo no reino mineral, variadas reações químicas levam à extinção total. Aceito que as células andarilhas dos reinos animal e vegetal sentem dor, que as palavras estremecem nossos sentidos porque, apesar da dor, continuamos vivos. Até a morte, o gozo final queira ou não.

Rozana escolheu os versos escritos por Obdulio Nuñes Ortega, capitaneados pelo título Andarilhador

Boa leitura!

1

Andarilha

é a minha dor

sou eu quem ando com ela

ou sou por ela

que continuo a caminhar

(..)

Meu amor é dor

minha alegria é dor

meu desejo é dor

(…)

a coisa mais solitária que existe

egoísta pessoal e intransferível

é minha e de mais ninguém…

2

(…)


me percebo ridículo de humana dor
em busca de amor e aceitação
de amar a si sem conseguir
tento encontrar nexo ou conexão
com o meu entorno
aprisionado aso olhos por trás das lentes
dos óculos muitas vezes finjo
não ser míope a não ser um andarilho
perdido em mim não me enxergo
me entristeço por ele que sou eu e não é
ainda curioso após seis décadas de vida
respeito essa expressão vital
porque existe a palavra e quero saber
até onde ela me levará
se até eu ficar mudo
e o que escrever se transformar
em nuvens silenciosas de paisagens
nunca vistas por serem evidentes demais
e tão desprezíveis quanto o ar

(…)

3

Viajo de flor em flor
morrerei com o mundo quando me matarem
sou um ser em morte lenta andarilha de biomas
deixarei de beijar polenizar transmitir
genes cores respirares florescimentos
de mato em nata manta de verde retinto
me tornarei um ser extinto
e extinguirei em dor que não será apenas minha
o silêncio permanente atacado por meteorito
incandescente em forma de homo sapiens
voos interrompidos de zangões
os zumbidos de operárias sem abelhas-rainhas
a lhe servirem a servirem nossos matadores
arrasadores de quarteirões continentes
hemisférios o planeta inteiro
final paralisado sem zunzuns e vai-e-vens
asas petrificadas a serem descobertas
por futuros arqueólogos aliens
exploradores de vales ressequidos
do corroído planeta morto…

Scenarium 8 | 2022

mosaicum (poesia e prosa) casa de vidro (contos) as estações (poesia)
barquinho de papel (prosa) manifesto-me (crônicas) nas nuvens (poesia e prosa)
o ano do gato (contos) em mãos (correspondência)

livro 01

Organizado por Lunna Guedes, essa edição convidou os autores a poesia e a prosa… os autores: Adriana Aneli, Nirlei Maria Oliveira, Flávia Côrtes, Obdulio Nunes Ortega, Caetano Lagrasta, Anna Carriero, Lígia Libaneo, Anna Clara de Vitto, Yara Fers, Joakim Antônio, Isabel Rupaud,Roseli Pedroso, Mariana Gouveia.

O resultado são poesias em páginas azuis e uma narrativa que se oferece enquanto trovão no azul…

livro 02

Quem conta um conto, aumenta um pouco e foi partindo dessa premissa que Lunna Guedes convidou Adriana Aneli, Carol Favret, Flávia Côrtes, Isabel Rupaud, Mariana Gouveia e Obdulio Nuñes Ortega para escrever narrativas a partir de um conto — o fio condutor de Casa de vidro, tão frágil quanto as emoções dos personagens que cicularm de conto em conto…

livro 03

Um livro de poesias que reúne 04 poetas da Scenarium Flávia Côrtes, Mariana Gouveia, Nirlei Maria Oliveira e Suzana Martins e suas estações da pele, da alma, do cuore e da alma…

livro 04

A idéia para esses cadernos de contar histórias foi uma dobradura colocada por uma criança numa poça d´água — despertando memórias. Veio o convite a prosa: Adriana Aneli, Bianca César, Isabel Rupaud, Lua Souza, Mariana Gouveia, Rozana Gastaldi Cominal e Suzana Martins aceitaram conduzir seus barquinhos de papel por esse mar de páginas…

livro 05

Lunna Guedes teceu o convite, uma crônica por semana, propondo os temas que cada autor levou na direção que quis, propiciando um olhar para muias paisagens…

Escreveram-se: Flávia Côrtes, Isabel Rupaud, Mariana Gouveia, Manoel Gonalves (Manogon), Obdulio Nuñes Ortega…

livro 06

Quando crianças, ao olhar para as nuvens, vemos desenhos de gatos, cachorros, coelhinhos, dragões… dizem que é o imaginário infantil. Mas e nós, adultos? O que vemos?

Isabel Rupaud, Lua Sousa, Mariana Gouveia, Nirlei Maria Oliveira, Rozana Gastaldi Cominal responderam com poesia e prosa…

         

livro 07

A idéia veio de Edgar Allan Poe e seu conto O gato preto que foi publicado em uma edição do Saturday Evening Post em agosto de 1843.

O conto é um estudo da psicologia da culpa…… e foi apresentado durante o encontro do Clube de Escrita da Scenarium…

Ananda Karenina, Isabel Rupaud, Lua Souza, Lunna Guedes, Mariana Gouveia, Obdulio Nuñes Ortega e Roseli Pedroso…

Sete autores, um para cada gato ou seria para cada vida?

Com ilustração de Valerie David Cats e poesias de Flávia Côrtes, Jorge Luís Borges, Patricia Highsmit, Rozana Gastaldi Cominal e Wislawa Zymborska.

livro 08

Uma troca de correspondência iniciada por Lunna Guedes… que escreveu ao vento e esperou por respostas para iniciar a aventura em linhas entre diferentes geografias, anatomias…

Responderam ao aceno: Flávia Côrtes, Mariana Gouveia, Rozana Gastaldi Cominal e Suzana Martins…

Plural  | Motivo (3)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou 
poeta.

Fragmento do poema “Motivo”, de Cecília Meireles

Poeta ou poetisa? Também sou do clube de Cecília Meireles, sou POETA. Sou pela língua viva, orgânica que extrapola o dicionário, a nomenclatura, a gramática dos gêneros. Estou emparelhada aos movimentos sociais, língua explosiva quando negam o direito à vida. 

Encontro eco ao ler Lunna Guedes, ela mesma ou a voz de Catarina, pois sua escrita é tomar uma infusão de ervas que inebria: “Sei o verso que chega e se aconchega nos olhos e na boca, na pele”…

É ouvir Chico César ao violão dedilhar: “Chega tem hora que ri de dentro pra fora/ Não fica nem vai embora/ É o estado de poesia”.

Encontros assim é oração, estado de graça, porque, continua Lunna: “Ler poesia é ler-se… em algum momento a pele goza do arrepio sagrado da primeira vez e eu terei minha porção de tudo e nada (de novo). Amém.”

Oração verbal ou nominal plena de sentidos, de significados, de intenções. Assim como os versos se quebram na linha reta, contínua, a linguagem carrega em POETA todo um ritmo peculiar para captar o instante. É a celebração da palavra, sílaba a sílaba daquilo que atina os sentidos não somente em mim, mas em quem me lê, sábia Cora Coralina resume tudo isso muito bem: “POETA não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso”. Atrevida exibo minha: 

Flâmula

poeta sou
sigo a voz
que chama
solta
e
revolta
sigo o peito
que inflama

poeta sou
solto a voz
que alumia
a estrada
onde companheiras
& companheiros
me esperam com o
coração na epiderme

ESCREVER é dialogar com a mente. É trabalho hercúleo, exige conhecer-se. Eu me autorizo a escrever, a interpretar, a sonhar, a ficcionar. Ao mesmo tempo que descubro que tipo de leitor eu sou. LER é descobrir universos paralelos que revelam-se as influências literárias. Captou a composição estética e a crítica? Exige harmonia entre forma e conteúdo com humor, deboche, ironia, crítica social/política, lirismo. Não é mero amontoado de palavras em linhas quebradas quando se trata do poema. Nem parágrafos bem ajustados em linhas paralelas na prosa. Saliento que ambos têm ritmo, compasso e descompasso, mas não me peçam para explicar um poema. 

Aprendi com Hilda Hilst: “É triste explicar um poema. É inútil também. Um poema não se explica. É como um soco. E, se for perfeito, te alimenta para toda a vida. Um soco certamente te acorda e, se for em cheio, faz cair tua máscara, essa frívola, repugnante, empolada máscara que tentamos manter para atrair ou assustar. Se pelo menos um amante da poesia foi atingido e levantou de cara limpa depois de ler minhas esbraseadas evidências líricas, escreva, apenas isso: fui atingido. E aí sim vou beber, porque há de ser festa aquilo que na Terra me pareceu exílio: o ofício de POETA”. 

Ao compreender que literatura é afetar, socar, sacudir, a/o POETA promove um esforço coletivo para salvar a vida de alguém ou talvez salvar a si própria/o.  

POETA sou e organizo o pensamento, vasculhando a memória na busca de narrativas, descrições e reflexões. Vasculho, ainda, gavetas, caixas e baús para capturar lembranças, sentimentos, sensações. Nesses cofres secretos, ficam os gatilhos para minha-sua-nossa escrita: objetos, fotos, cheiros, perfumes — estímulos para a produção literária.

Os poemas ganham destaque, com jogo de palavras cravado na memória e na curiosidade de sentidos, sinestesias em efusão, metáforas, sentimentos em turbilhão.

Desesperada, devastada, dardos do desânimo disparados, descansaremos quando? Desigualdades dilacerantes, denúncias, demandas, desgraças que nos arrasam e nos arrastam para o fundo do poço. Seja na escuridão da noite, seja na noite sertaneja enluarada, somos seres desejantes, o mundo precisa de um abraço, eu preciso de um abraço…

Catástrofe sanitária, cegueira no horizonte, colapso mundial, tudo desmoronando, estou fazendo arte? De nada adianta lutar?  Como POETA faço aquecimento, carrego kit sobrevivência, até parece que vou-vamos entregar os pontos! POETAS somos! Abaixo a corrupção, a necropolítica, os sem-noção! Quanto ainda nos falta para chegar a ser nação? Que rolem os dados…

Não contavam com nossa astúcia: lockdown  utópico que nos faz caminhar para dentro de si e depois, quem sobreviver, ocupar o cenário exterior.

O adágio popular faz sentido: Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe. Contagem regressiva para os sobreviventes. Sinal dos tempos que dias melhores virão. A luta pela vida se faz diária, enquanto uns seguem delirando, alguns nem sabem do que se trata, outros, imunizados estarão com vacina e poesia. Em luto, em luta, poesia como antídoto.


P.S. 1 
Mas ousadia mesmo é com Jéssica Iancoski
que reivindica a autoria:

Também


devo me apossar 
da palavra autor
se enfraquecido
não existe o masculino
sou poeta sou autor
sou o dono da minha vida
e acima de tudo 
mantenho-me mulher

O que posso dizer? Somos os donos de nossa voz no mundo. Síntese intensa traz seus versos, lacrou total! Isso é 

Nocaute


pilhados?
trocam-se três por um
adeus aos neurônios suicidas


P.S. 2
E para fechar o ciclo, deixo uma dica que copiei nem sei quando nem de onde.

Ritual das folhas que caem

Procure no chão de jardins ou praças, sete espécies
diferentes de folhas “caídas”. Coloque todas juntas
numa pequena pilha e costure parte de suas bordas
de maneira que pareça um pequeno livro de folhas
verdes. Este é seu livro mágico da Natureza.
Coloque-o dentro de um envelope e tenha-o sempre
por perto. Ele é um canal para sua vida mágica,
pois todo o conhecimento contido nas folhas
será transmitido a você por meio da sua intuição.
Poesia virou autoajuda agora?
Sempre foi, palavra de POETA que vê poesia
como presença de afetos, ainda mais em tempos
de pandemônio social e viral, tornou-se
companhia na falta do espaço coletivo presencial.

Rozana Gastaldi Cominal

…é autora de MULHERES QUE VOAM

Pitacos sobre A importância da Leitura em qualquer tempo

Por Rozana Gastaldi Cominal

Professora e Poeta, autora do livro Mulheres que voam

Como leitora, destaco o quanto a leitura do mundo precede a leitura da palavra, salve Paulo Freire! em A Importância do Ato de Ler (1988). Daí a importância da família, principalmente minha mãe que deixava a nossa mão a bíblia ilustrada para que nós, os filhos, pudessem ver as imagens enquanto ela lia para nós. Na escola, nas primeiras séries,  as professoras nos apresentando músicas, histórias infantis e poemas para recitar nas datas comemorativas. Já no ensino fundamental II, as aventuras de Júlio Verne e de Mafalda foram um mundo à parte que pude conhecer na sala de aula, nos livros didáticos e na biblioteca escolar, que mundo mágico de livros sem ser leitura obrigatória, apenas o prazer de ler. Depois meu pai fez assinatura de jornal, ah, saber dos fatos em notícias locais, no país e no exterior. Também ler as colunas de autores vivos, foi assim que conheci Rubem Alves, Raquel de Queiroz, Paulo Leminski aos 14-15 anos. No ensino médio, li Capitães da Areia e depois me encantei  com Gabriela, Tieta, Dona Flor, as musas de Jorge Amado. Ao cursar Letras, a descoberta de Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Camões, Edgar Allan Poe, incluindo Teatro do absurdo, textos filosóficos, de Psicologia e manuais para tradução.

Como educadora, atuei como  professora e coordenadora – por mais de 30 anos na rede  pública estadual de São Paulo –  e  também como agente cultural no serviço público em Hortolândia – SP,  desenvolvendo ações de fomento para as Culturas Populares. Então esse gosto pela leitura ampliou, não só apresentando os livros da biblioteca escolar e pública da cidade, mas também compartilhando//  ao compartilhar caixas de livros meus para que os estudantes pudessem levar para casa e ler sem a pressa. Imagina ler com eles  Depois Daquela Viagem,  autobiografia da escritora Valéria Piassa Polizzi,  que, aos 16 anos, foi portadora de HIV e falar sobre isso aos jovens! O melhor é constatar, quase 25 anos depois, que o livro faz parte do acervo das bibliotecas nas escolas estaduais.

Como revisora, escritora e poeta, o que vejo atrás palavras hoje?

Leituras na tela do computador, do celular, na sala de aula, na sala de espera, no quarto, no quintal… Vida empacada diante do vírus provoca necessidade de comunicação consigo mesmo e com os outros, promove um esforço coletivo para salvar a vida do outro ou salvar a si próprio.  A palavra ganha destaque. Primeira a palavra falada, depois a escrita. Tudo isso para preservar nossa espécie por meio da linguagem. Sou mulher que lê  e  que escreve, acredito na força dos coletivos e com eles  faço voz: Mulherio das Letras, Mulheres Maravilhosas, Nua Palavra, Toma Aí Um Poema, Scenarium Coletivo.  Com participação em podcasts e publicação de poemas em redes sociais, revistas literárias digitais, e-books e livros impressos.

Por isso, leia: romances, contos, crônicas, HQs, poemas de autores clássicos e contemporâneos. Procure Rozana Gastaldi Cominal e leia poesia. Leia artigos de opinião, publicações científicas, matérias de jornal e revista em papel impresso ou via digital. Leia sempre que puder e, aos poucos, transforme esse exercício em hábito diário. Só assim poderá  escolher os próprios caminhos, gritar contra as injustiças, realizar os sonhos. Poder fazer o bem que se deseja, melhorar o que for possível, com educação, saúde, arte, cultura. Eis o poder para nos projetar para o futuro.

Rozana Gastaldi Cominal

Mora em Hortolândia-SP. Poeta e professora. Formada em  Letras, faz revisão de textos. Mantém os sentidos em alerta: Eu vejo. Sinto. Vivo. Ufa! Respiro. E não piro. Suspiro! Escreve porque sonha com uma sociedade menos desigual onde o respeito mútuo seja a base do diálogo, onde a poesia  e a sororidade estejam na ordem do dia. Acredita na força dos coletivos e com eles  faz voz. 

Publicação de poemas em redes sociais, revistas literárias digitais, e-books e livros impressos.

Em destaque: Quarentena poética (2020); Coletânea Maria Valéria Rezende – Resenhas e variações, Chorando pela natureza, Cotidiano, poesia e resistência coletânea, é uma da das organizadoras (2021); Comer é Um Ato Político (2022), do coletivo Toma Aí Um Poema é autora homenageada (2022); do coletivo da Scenarium: Nascer pela Segunda vez (2021) e Barquinhos de  Papel (2022).

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Mulheres que voam é plano de voo e matéria literária para os sentidos, cabe a quem lê percorrer vagarosamente cada poema e apreciar os detalhes artísticos da obra, respirar impregnado de cada verso e sentir no corpo o atravessamento pelos sentimentos recolhidos do íntimo da Autora em cada poema.

R$ 32,00

Coletivos Scenarium