Plural  | Sobre Sobra

Manoel Gonçalves
Manogon


Sinto-me
E contemplo a vastidão
Sento-me
E reparo a devastação
Sou floresta de um homem só
Tronco decepado
De promissora plantação
Pensamento solitário
Frio, cinzento, sem folhagem
Senhor minúsculo do tempo
Sentado sobre terra
Agora plana
Sem picos e desfiladeiros
Sem planícies e planaltos
Sem poros e reentrâncias
Só bobagem
Sou peça solta
Sem pino, parafuso
Graxa e funcionalidade
Apenas engrenagem
Largada e esquecida
Sento-me sobre minha obra
Sinto-me apenas a sobra
Penso, penso
E nesse vazio
Será que existo?

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