As capas dos nossos livros…

Os primeiros projetos artesanais da Scenarium traziam capa gráficas… com a Arte feita no computador e impressa em papel colour plus fosco 180grs colorida. Era algo mais simples-comum, igual as que encontramos nos livros comerciais.

Após participar de uma feira de livros de artista em Buenos Aires, percebi que o artesanal oferecia muitas possibilidades: diferentes tipos de papel, cores, recortes e colagens, dobras e rasgos. E que o livro feito um a um precisava de elementos de realce para dar um toque especial ao projeto.

A primeira proposta que elaborei nesse sentido foi a do livro amor expresso, de Adriana Aneli que aprovou o projeto desenvolvido com fitas de papel vermelho estileteadas e coladas por cima do papel preto. Depois veio o projeto das capas dos diário das 4 estações, que envolveu rasgos no papel, formando ranhuras que serviram de molduras para o título do livro.

Desde então, trabalhar a capa passou a ser um desafio porque os autores esperam por uma proposta inédita e diferente, e os leitores dos nossos livros… também!

E aí, qual dos nossos projetos de capa, você gosta mais?

Cinco anos de agulhas e linhas

A Scenarium completa cinco anos nesse ano ímpar…  e eu resolvi pedir um café ali ‘entre esquinas’. Enquanto aguardava pelo meu nome “cravado no copo, em preto’ ser chamado em voz alta pela Barista… pensei os anos, os livros, as pessoas-autores e os projetos.

Não consegui saber quantos livros costurei, mas sei que foram muitos — bem mais do que eu imaginei alinhavar. Todos em edições únicas com tiragem de trinta exemplares. Houve erros e acertos… mas, ao observar todos os feitos, concluo que não faria nada de diferente.

Quem me conhece sabe que eu gosto de errar-tropeçar-cair.

Não gosto é de não tentar, mas nada tenho contra recuar o passo… respirar fundo e repensar as direções, refazer os mapas.

A Scenarium continua firme na idéia de ser um Selo Editorial artesanal independente… a procurar Autores que concatenem com nossas propostas underground-subversivas… porque somos assim.

E continuaremos nesse caminhar… a depender dos amigos-leitores para selecionar-criar-inventar-divulgar-apresentar projetos-propostas de livros que unam num mesmo espaço-tempo… leitor e autor.

A correr o risco de não ser encontrado nas superfícies mais comuns, porque desde o começo, optamos por não nos deixar acumular, empilhar em prateleiras. Gostamos e preferimos o contato mais íntimo com as mãos-olhos-pele-alma dos nossos amigos-leitores.

Também continuaremos a nos reunir em espaços contraditórios. O importante é conjugar o verbo no tempo certo. Queremos estar em boa companhia, movido a abraços-cafés-diálogos e pessoas que compreendam a nossa dança-proposta.

A Scenarium agradece a todos que nos acompanham e participam de nossos projetos, seja na condição de Autor ou Leitor…

Depois de cinco anos, temos fôlego para mais cinco…
Quem é de embarque, seja bem-vindo a bordo!

Coletivo 2017…

Há pouco mais de uma semana, voltei às minhas caminhadas diárias… hábito que havia abandonado desde que o cão nos deixou. Patrick — um cão da raça boxer — era o meu parceiro de calçadas, esquinas e ruas… Com seus passos lentos e constantes pausas feitas em postes, árvores e portões. Ele era um curioso nato, que gostava imenso de se aventurar por certos cenários… E eu me deixava conduzir por seu faro aguçado — nunca estava errado em suas escolhas.

Com ele — a guiar o meu passo — visitava os caminhos e tropeçava nas anatomias dos lugares… Escrevi inúmeros textos por aí. Conheci personagens e me libertei dos embaraços mentais, que vez ou outra precipitavam-se em meu hemisfério neural.

Nossa caminhada nunca durava menos de uma hora… E ao voltar as ruas, senti falta de ritmo e da companhia. Ele sabia que as minhas insanidades se organizavam a cada passo… e rosnava quando alguém interferia ou insistia em ser companhia indesejada. Era um menino muito cuidadoso.

O meu passo foi mais lento, sem as tais pausas… apenas a lembrança delas. Os joelhos reclamaram tanto quanto os pés e o cuore se mostrou levemente descompassado… Mas, aos poucos, fui acertando o passo, o ritmo e o ar chegou aos pulmões com mais facilidade.

Alcancei, sem dar pelo caminho percorrido, o parque da Aclimação… onde finalmente fiz uma pausa para alongar os músculos e nervos, hidratar o corpo e a mente. Ouvia Carly Simon, enquanto pensava no projeto Coletivo… criado para homenagear esse ‘menino de quatro patas’.

Há quem escreva livros-memórias sobre seus cães, mas eu escolhi-preferi convidar autores ‘a repetir’ as nossas travessias… percorrer calçadas, dobrar esquinas, atravessar ruas e viajar pelos cenários que nunca são os mesmos, por mais que se pareçam em forma e fôrmas.

Convite aceito… os autores viveram — na companhia de palavras-temas, que foram a bússola de suas experiências andarilhas — suas próprias emoções… Experimentaram Ser navegantes nesse mar, que nos acostumamos a chamar de realidade.

Convido você leitor a experimentar o resultado que costurei com fita de cetim, em pequenos goles de ar, água, café…


Participaram:

Aden Leonardo | Adriana Aneli | Caetano Lagrasta | Chris Herrmann
Ingrid Morandian | Marcelo Moro | Maria Vitoria |
Mariana Gouveia | Obdulio Nunes Ortega | Virginia Finzetto

Com ilustração de Adriana Aneli

Série Exemplos… de Poesias!

Ainda é tudo novo por aqui… estou a combinar elementos e a escolher o que serve ou não. Ainda é tudo feito no automático dos gestos. Me preocupei muito mais com o conteúdo que se oferece as folhas, que com o Livro em si… até pela consciência de que ainda era muito cedo para que se cumprisse certas exigências.

Sei que ao vislumbrar um livro a partir de suas futuras linhas, naturalmente, idealizo todo um cenário em minha pele-mente-alma… algo como uma casa: com os cômodos, a mobília, o quintal, o caminho até o portão, a calçada, uma árvore e também a rua… com seus movimentos em pares.

Criar cenários é coisa bastante comum ao meu imaginário — sempre ativo — mas não sei como o leitor e, também, o autor pensam um livro… contudo, gosto de supor que, ao desenvolver esse projeto-primeiro para a Scenarium, o meu universo lúdico se esparrama pelos lugares por onde passo… como se fosse uma planta com todos aqueles traços e retas…

Eis a premissa do projeto Exemplos: “eu ofereço os “cômodos e os autores… a mobília! E, aos poucos, vamos dando forma a casa”.

Mais tarde, chegam os amigos para visitar…


Com vocês: E.x.e.m.p.l.o.s de Poesias de:
Akira Yamasaki, Mariana Gouveia e Manoel (manogon) Gonçalves.


E.X.EM.P.L.O.S

de contos e poesias…

Coordenado pela nossa editora Lunna Guedes
lunnaguedes@gmail.com

O projeto E.X.E.M.P.L.O.S nasceu durante uma conversa arisca, na mesa da cozinha, em meio a pesados goles de chá. Ainda estávamos a considerar as possibilidades… era tudo tão novo e ainda não estávamos acostumados com a idéia…

Eu pensava em como alinhavar cadernos com poemas e contos numa proposta-primeira… e tentava dizer o que eu pretendia. Não sei se sabem, mas eu falo com as mãos. Sou toda gesticulação. Como se escrevesse no ar ou numa lousa invisível.

Foi quando Marco disse em voz alta: “me dá um exemplo do que você pretende”. O sorriso aconteceu naturalmente, quase num estalo… era exatamente o que se pretendia: exemplos de palavras, versos, frases inacabadas, imperfeitas.

Feito argila nas mãos, o projeto foi sendo — lentamente — moldado…

nosso scenarium

A Scenarium livros artesanais não é uma editora. É um selo artesanal que surgiu em um fim de tarde, entre esquinas e pesados goles de café… em meados de 2013.

A nossa idéia primeira partiu da simplicidade: Ser plural… a partir do singular.

Começamos organizar a nossa proposta. Definimos que a nossa Tiragem seria pequena: trinta exemplares (por edição) devidamente numerados. Seriam impressos, prensados, furados e costurados com linha de cetim… um por um.

Optamos pelo processo experimental e sem futuro… apenas uma idéia quase obsessiva: propor aos autores e leitores um enlace quase orgânico — uma espécie de continuidade do indivíduo.

A Scenarium livros artesanais… desde o primeiro livro impresso e costurado tinha a intenção de lidar primeiro com o tato e a partir desse sentido primordial para nós, alcançar todos os outros!


Lunna & Marco